quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Administrar é preciso ler os sinais

Você já deve ter visto alguns desses filmes cujo enredo aborda catástrofes naturais que terminam com a completa destruição do lugar ou até mesmo do planeta, não viu? Mas, infelizmente, não é apenas em filmes que tais fatos acontecem. Você ainda deve estar impressionado com as cenas do tsunami que, em 26 de dezembro de 2004, atingiu a costa asiática provocando grande destruição e sofrimento em Sumatra e outros países, não está?

O poder da natureza é tão forte que, uma vez em movimento, nada existe que o possa deter. A única coisa que pode ser feita é uma previsão que possibilite minimizar os efeitos através da criação de estratégias de adaptação e proteção dos moradores. Vamos usar como exemplo o tsunami que destruiu a costa asiática em 2004. A pergunta é - O que poderia ter sido feito para proteger as vidas de mais de 170 mil pessoas mortas ou desaparecidas?

A previsão de um tsunami é algo muito difícil de ser feita. Para tentar reduzir o nível de destruição o governo da Indonésia fez parcerias com cientistas de outros países para implantar sensores no fundo do mar com o objetivo de fornecer dados de movimentos sísmicos. Interligadas a um satélite, essas informações permitirão às autoridades tomar providências para proteger os moradores das possíveis áreas afetadas.

Mas esses acontecimentos não surgem do nada. Além das causas, muitas delas até mesmo previsíveis, pequenos detalhes, que eu chamo de “sinais”, vão deixando transparecer que algo de anormal está acontecendo. Quer ver alguns exemplos de sinais? Por que motivo os elefantes, normalmente dóceis e pacatos, desobedeceram às ordens dos seus domadores e fugiram, desesperadamente, para as Colinas de Khaolak? Muita coincidência para ser apenas um capricho desses gigantescos paquidermes, você não acha? - “Não existe nenhum elefante morto. Nem sequer foi encontrado um coelho morto”, afirmou o diretor do Sri Lanka’s Wildlife Department.

Quer ver outro exemplo que aconteceu nas águas do litoral da Flórida, nos Estados Unidos? Quatorze tubarões galha-preta, devidamente “chipados” foram observados saindo do seu território. O que tem isso de anormal? - poderá estar você perguntando. Acontece que esses tubarões nunca haviam tido esse comportamento durante os quatro anos de monitoramento e o fizeram aproximadamente 12 horas antes da chegada do furação Charley. Só duas semanas depois voltaram aos seus habitats. Terá sido também mera coincidência ou os animais possuem alguma sensibilidade natural que faz com que sejam capazes de ler os sinais da natureza?

Com certeza você deve estar querendo saber aonde eu quero chegar com esses exemplos, não está? Quer seja empresário ou ocupe um cargo de responsabilidade, além dos conhecimentos técnicos e de todas as habilidades exigidas, você precisará aprender a ler os sinais se quiser sobreviver no mundo dos negócios. Você deve estar às voltas com as conseqüências da recente crise que afetou os mercados mundo afora, não está? Pois se elefantes e tubarões conseguiram detectar os sinais de que alguma coisa não estava normal e que precisariam tomar uma providência para se manterem vivos, o mesmo poderia ter acontecido com essa crise que provocou um colapso nas principais Bolsas de Valores e Mercados de todo o mundo. A pergunta que precisa ser respondida é - “Mas essa crise surgiu do nada ou teve uma causa que poderia ter sido prevista?”

Não! Essa crise não surgiu do nada. Tanto que foi prevista pelo professor Nouriel Roubini, apelidado de Dr. Apocalipse pelos economistas que não queriam acreditar que uma crise pudesse desestabilizar a “sólida” economia mundial. Mas como o Dr. Roubini conseguiu prever tal calamidade quatro anos antes da crise estourar? Que dons sobrenaturais têm o Dr. Apocalipse que o diferencia dos poderosos e bem informados governantes, economistas e homens de negócios do mundo inteiro?

A meu ver ele tem um dom sim. Não sobrenatural, é claro! Mas o de ler sinais que apontam para uma tendência. Mas que sinais seriam esses que ninguém viu? Antes de mencionar alguns vale comentar que outras pessoas viram sim! Mas ou não souberam interpretar ou se calaram para não correr o risco de matar a galinha dos ovos de ouro. Será que não teria dado para perceber que o mercado imobiliário americano, crescendo de forma acelerada através do artifício dos juros baixos, e com os preços das moradias superinflacionados em função do espiral especulativo poderia entrar em colapso a qualquer momento? É lógico que daria! Ganância desmedida sempre acaba mal e nesse caso tivemos a ganância dos bancos somada á ganância dos compradores, que superestimaram suas rendas para garantir o empréstimo. Quando a bolha estourou o calote foi geral e a realidade veio á tona - ninguém tinha “dólar” para pagar as hipotecas dos imóveis adquiridos. O resultado foi o que você já sabe.
Sabe o que isso me lembra? Do avarento que tinha uma galinha que diariamente punha um enorme ovo de ouro. Com medo de que alguém pudesse roubar a sua preciosidade o avarento decidiu abrir a barriga da galinha e se apoderar de todos os ovos de ouro antes que alguém o fizesse. A conclusão é óbvia - A ganância fez que ficasse sem galinha e sem ouro! - (Qualquer semelhança com a crise das hipotecas americanas é pura coincidência!)Mas vamos ao que importa. Vou fazer umas perguntas e você vai respondendo mentalmente, ok?

· Você é capaz de ler os sinais que mostram que algo não vai bem com a sua empresa, com o mercado ou com o seu pessoal?
· Você reserva um pouco do seu tempo para andar pela empresa e procurar por sinais?
· Você costuma parar para meditar sobre o que poderá estar errado na sua empresa?
· Você costuma juntar a sua equipe com o objetivo de procurar sinais de que algo não vai bem?
· Você conversa com clientes e consumidores para encontrar sinais de mudanças no mercado?
· Você está percebendo que o gráfico de vendas tende a estacionar num determinado patamar?
· Você notou que está começando a perder o controle sobre os custos e despesas financeiras?
· Você percebeu certa dificuldade em conseguir dinheiro junto aos bancos para capital de giro?
· Você começou a ter dificuldade para manter o pagamento das suas contas em dia?
· Você está sentindo que os profissionais mais competentes e produtivos estão caindo fora?
· Você percebeu certa dificuldade para negociar preços com os fornecedores?
· Você está sentindo que se continuar assim vai precisar reduzir produção e cortar pessoal?

Agora, anote o mais importante!

Perceber tudo isso quando a casa já caiu é muito fácil. Os escombros são pesados e costumam machucar. O grande desafio é você desenvolver a intuição para perceber os sinais assim que eles começam a surgir. Os sinais de que algo vai bem ou vai mal existem. Eles sempre estão lá.

O seu grande desafio em relação aos sinais - conseguir vê-los!

O seu grande problema em relação aos sinais - querer vê-los!

O valor de uma reunião de Vendas

Uma das atividades rotineiras na área comercial é a realização de reuniões de equipe. Estes encontros vão desde os mais formais como a convenção de vendas até os operacionais, onde se busca um alinhamento tático e definições de curto prazo. Mais será que todas as reuniões são necessárias e mais ainda, produtivas? Qual o valor de cada reunião considerando uma relação custo x benefício vantajosa? Poderiam ser utilizados outros meios para atingir o objetivo proposto sem precisar reunir toda a equipe?

A proposta deste post não é elencar um conjunto de regras para realização de uma reunião eficiente, mas sim nos concentrar na essência desta atividade e o que a leva a ter sucesso ou fracasso indiferente do seu tamanho ou duração.Em primeiro lugar, o objetivo do encontro tem que estar claro e disponível de forma prévia para todos os participantes, destacando inclusive se será necessário que eles levem algum material ou coletem alguma informação específica no mercado. A confecção de uma agenda é a base. Todos os temas a serem abordados devem estar contemplados e os horários previstos devem ser factíveis com o conteúdo a ser apresentado. Não se esqueça de planejar os períodos de intervalo e almoço. O cumprimento do horário é um fator fundamental para o sucesso, pois demonstra não só organização e disciplina ao grupo, mas principalmente, porque maximiza o tempo de todos e facilita o atingimento dos resultados esperados da reunião.

Durante o encontro, utilize os recursos audiovisuais mais adequados e principalmente uma comunicação assertiva e ao mesmo tempo democrática, possibilitando a todos opinarem e compartilharem suas idéias e sugestões.

Lembre-se, reuniões de vendas não são e não podem ser monólogos de gerentes ou diretores ! Ao final, faça um resumo do que foi discutido, proposto, e convencionado. O alinhamento solidificará o resultado da reunião e reforçará a implementação das novas estratégias e ações no dia-a-dia no campo. Ah... não se esqueça ainda que uma boa dose de humor e alegria ajuda a administrar eventuais tensões e inseguranças do grupo, facilitando a comunicação entre o time e a obtenção de soluções e alternativas em conjunto.

Boa reunião e bom trabalho!

Os grandes mitos da Negociação

Existem algumas crenças, sem fundamento que, de tanto serem adotadas, acabam adquirindo características de verdades. São os chamados “mitos” que estão presentes nos diversos ângulos da nossa vida. À medida em que esses mitos vão sendo adotados e acreditados, acabam adquirindo a chancela de “verdades absolutas”. A partir daí adquirem tal força que passam a interferir no comportamento dos indivíduos e até mesmo da sociedade como um todo.

A negociação, por ser uma atividade presente na vida de toda e qualquer pessoa acaba recebendo as influências de alguns desses mitos. Se você, que pretende ser um negociador profissional ou, pelo menos, melhorar os resultados de suas negociações, não estiver precavido e consciente dos efeitos de tais mitos, com certeza será por eles envolvido e até mesmo prejudicado.

Você deve estar questionando - Mas que mitos são esses? Como eles podem interferir nos meus negócios? Vamos ver e analisar alguns?

· Preço de mercado - Com certeza você já usou, ou alguém usou “contra” você esta argumentação para justificar o preço, não usou? Imagine que você está vendendo uma casa e o comprador diz: ”O seu preço está muito acima do preço de mercado”. E aí? Que argumentos você tem para derrubar esse mito? O comprador está tentando transformar a sua casa em “commodity”! Ele está querendo dizer que a sua casa é igualzinha a todas as que ele já viu. Se você não tiver argumentos que diferenciem a sua casa das demais, o preço de mercado acabará sendo o parâmetro. Mas, se você encontrar diferenciais que tornem a sua casa única, então o preço de mercado acabará caindo por terra. Você, como vendedor da casa, também poderá tentar usar esse argumento a seu favor, dizendo: “Eu não estou pedindo nada demais. É preço de mercado!”. Nesse caso caberá a ele derrubar a sua tese.

· Preço fixo - Esse é outro mito muito utilizado. Mas o que é preço fixo? Em que leis se baseiam essas empresas ou vendedores para engessarem seus preços a ponto de não poderem fazer qualquer concessão? O que você está fazendo quando diz para o comprador que o seu preço é fixo? Está dizendo, com todas as letras, que com você não tem negociação! Que é pegar ou largar! E o pior é que muitas pessoas ainda acreditam! Quem usa essa argumentação deve gostar de viver perigosamente e encher a sua vida de conflitos e riscos. Ou, por outro lado, não deve conhecer o mais rudimentar princípio da negociação - Deixe o seu oponente sair com a sensação de que foi ele quem conduziu a negociação e soube fazer um bom negócio! Por questão de princípios, para não dizer de ego, as pessoas quando ocupam o papel de compradores gostam de ter a sensação de que dominaram a situação e levaram alguma vantagem. Sabendo disso, quando no papel de vendedores, essas mesmas pessoas deveriam trabalhar os seus egos e fazer de tudo para que os compradores saiam com a sensação de vitória. E eles, vendedores, com o pedido fechado e a comissão no bolso.

· Autoridade limitada - Outro mito interessante! Você está numa loja negociando um televisor. Lá pelas tantas, já decidido a fechar o negócio, você vira para o vendedor e pede um desconto. O que acontece? A resposta é quase sempre a mesma - “Só quem pode dar desconto é o gerente e, infelizmente, ele deu uma saidinha!”. O vendedor está dizendo que não tem autoridade para conceder descontos. Você tem duas alternativas - decide comprar pelo preço que ele pediu ou bate o pé dizendo que sem desconto não compra, que viu o mesmo televisor mais barato na loja ao lado da sua casa, se despede e vai se dirigindo para a porta de saída. O que normalmente acontece? O vendedor pede para você esperar um pouquinho, que ele vai ver se consegue essa autorização com alguém. Daí a alguns minutos ele volta sorridente, diz que você é uma pessoa de sorte e alguém autorizou o desconto. Pode ser que essa encenação nem sempre dê os frutos esperados. Mas alguma coisa você sempre consegue! E como diz o ditado popular, quem não chora não mama.
· Preço de tabela - Este é mais um mito é parecido com o do “preço fixo”. Na hora que você pedir um desconto, o vendedor vai apresentar a você uma tabela para fortalecer o argumento de que não pode dar desconto. Que na empresa dele o preço é tabelado De fato, não podemos questionar que a apresentação de uma tabela, algo documentado, tem certo poder para influenciar algumas pessoas, que acabam aceitando o fato consumado. Algo que não pode ser questionado! Mas, na prática, não é bem assim! Afinal, o que é uma tabela? Nada mais do que uma referência onde as empresas colocam o custo adicionado de um “markup” que lhes é interessante e que serve como base para a aplicação das suas políticas de vendas. Quem não se lembra do famoso “Plano Cruzado” lançado pelo ministro Funaro? As tabelas de preços das empresas eram tão “gordas” que não era raro ver alguém dando descontos da casa de 70 até 80% sobre os preços de tabela. A lei que vigorava nessa época era - quem grita mais paga menos!

Esses são apenas alguns dos mitos enfrentados por todas as pessoas, desde negociadores profissionais até donas de casa. Ou você aprende a enfentá-los e destruí-los, ou acabará deixando que se transformem em monstros reais e engolidores de boa parte dos seus recursos ou salários.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As pessoas com mais de 50 anos......

Nascer nos anos 50 ou 60 foi barra. Uma geração foi feita para romper com a anterior, mas essa chegou ao mundo para mudar todos os conceitos de várias gerações. Faz apenas 50 anos que apareceu a televisão, o chuveiro elétrico, a declaração dos direitos humanos e a revista Playboy. Casar era pra sempre, sustentar filhos era até quando eles conseguissem emprego, as certezas duravam a vida toda e os homens eram os primeiros a serem servidos na sala de jantar. As avós eram umas velhinhas e hoje uma mulher de 40 ou 50 anos é um mulherão. Todos nos vestimos como nossos filhos. Não existem mais velhos como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo. Culpa da pílula, dos Beatles, da Internet, da globalização, do muro de Berlim, da televisão, da tecnologia, do Viagra. Até morrer ficou diferente.

Na minha rua havia um velhinho que morria aos poucos. Ficou uns dez anos morrendo e isto aconteceu logo depois de completar 57 anos. Hoje se morre com 80 ou aos 90 e é um vapt-vupt. Com a pílula, a mulher teve os filhos que quis e ela sempre quer poucos. Como não conseguimos mais sustentar uma família, elas foram à luta e saíram para poder pagar a comida congelada, a luz e o telefone. Se a coisa não vai bem: é fácil a separação, difícil é pagar a pensão.

Hoje aprendemos a ouvir as crianças falando sobre namorado da mãe e o pai do irmão e temos apenas 15 minutos para ficar com a certeza de que tudo isso é normal e saudável. As pessoas que têm mais de 50 anos têm 15 minutos para dar uma opinião sobre o clima da terra, o aquecimento global, os transgênicos, as mortes das baleias, a guerra do Iraque, o orgasmo múltiplo, a venda e a falta de empregos, os muçulmanos, a reforma agrária. Sem esquecer de ser politicamente correto, é claro.

Em 50 anos tiraram à filosofia da educação e como o pensamento era reprimido pela revolução tudo virou libertação. Pedagogia da libertação, teologia da libertação, psicologia da libertação. Deu no que deu. Burrice liberada. Burrice eleita. As pessoas de mais de 50 anos aprenderam à tapa e na rapidez a assimilar todas as mudanças do mundo. Os filhos, por falta de emprego, não têm mais anseios de ir embora. Ficam morando eternamente e mandando na casa e com os controles remoto da TV, do DVD, do ar-condicionado na mão. Afinal, quem detém o poder do controle remoto manda na casa. São eles.

Um amigo lá na casa dos 50 contou que o pai sentava-se à mesa e a mãe servia o prato. Quando era galinha, ela vinha inteira. O pai gostava de sobre-coxa. Pronto, as duas eram para ele. Meu amigo também adorava sobre-coxa, mas pensava que quando se casasse sentar-se-ia à mesa e receberia a maravilha de ser agraciado com o fruto de seu desejo. Aí, a libertação aconteceu e os filhos passaram a se servir primeiro. O desgraçado do filho mais velho deu para gostar da sobre-coxa. Ele contava que apenas quatro vezes na vida conseguiu comer o que mais gostava. E nem dar um tapa no filho pode. Pode ficar traumatizado.

As pessoas de mais de 50 anos sabiam de cor a escalação do Fluminense no tempo do Castilho, Píndaro e Pinheiro. Hoje aprenderam a escalação do Senado, que têm no ataque Sarney, Renan e Collor. E como esses caras roubavam no jogo! Para as pessoas de mais de 50 anos, palhaço era o Carequinha da TV Tupi. Hoje o povo inteiro é meio palhaço, meio pateta. Ladrão era, hoje os ladrões tomaram conta dos palácios, da Câmara e de uma cidade que não existia, chamada Brasília. Ângela dançaria só na zona. Naqueles tempos, frango jamais ficava gripado, no Rio Grande do Sul só tinha enchente, presidente era alfabetizado, experiência com feijão e algodão germinando a gente fazia na escola e não em vôo espacial. Movimento social era reunião dançante, dia da mentira não era data nacional, piercing quem usava era índio botocudo, mansão do lago era algo de filme de terror e não lugar onde se divide dinheiro.

O homem chegava à lua e descobria que a Terra era azul, hoje um brasileiro se emocionou ao ver o Brasil lá do alto, é marrom e fede; caseiro não era mais ético do que ministro; quadrilha era dança e não razão de existir de partido político; operário era padrão e não rimava com ladrão. Ninguém tinha um esqueleto no armário nem dava tiro no pé. Manteiga era usada pelo Marlon Brando no Último Tango em Paris. Pizza se comia em casa e era bem alta, com molho de tomate e sardinha; hoje entregam uma a toda semana no Congresso do Planalto. O clube dos cafajestes eram uns playboys e não um País. As pessoas de + de 50 anos estão assim meio tontas, mas vão levando.

Fumaram e deixaram de fumar, beberam um whisky com muito gelo, hoje tomam água mineral, foram marxistas até descobrir quem foram os irmãos Marx, não têm mais certeza de nada e a única música do Beatles a tocar é "Help".

Pára Brasil, que os caras de mais de 50 anos querem descer. Ao ler este texto dá um aperto no coração só de pensar que tudo isso é verdade!

Que a nossa realidade está de fazer vergonha! E o pior, será que alguém sabe o que é "vergonha"?

Jorge Vieira da Rocha

A História de duas Pulgas

Muitas empresas caíram e caem na armadilha das mudanças drásticas de coisas que não precisam de alteração, apenas aprimoramento: o que lembra a história de duas pulgas.

Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra:

- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar.

Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas. E elas contrataram uma mosca como consultora, entraram num programa de reengenharia de vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente. E elas contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa.
Funcionou, mas não resolveu. A primeira pulga explicou por quê:
- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez. E um pernilongo lhes prestou uma consultoria para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha:

- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plástica? - Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento. - E por que é que estão com cara de famintas? - Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar. E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia. Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer:

- Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reengenharia? - Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora - Hã? O que as lesmas têm a ver com pulgas? - Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me deu o diagnóstico. - E o que a lesma sugeriu fazer??

- 'Não mude nada. Apenas sente no cocuruto do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança'. Você não precisa de uma reengenharia radical para ser mais eficiente...
Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento...

Pense nisto e veja como anda o seu posicionamento...

Jorge Vieira da Rocha

Quer mudar? Mude o sabor

A diferença entre ter uma proposta aprovada ou rejeitada depende da forma de vender. Especialmente para a turma de vendas.

Em minha experiência na área de Vendas, eu aprendi uma coisa: todo mundo cobra tudo do departamento comercial. Porque a área de vendas carrega o fardo de ser a única fonte de recursos da empresa, e todas as outras atividades – importantíssimas, sem dúvida – dependem de recursos. Por isso, ostentar o crachá de vendedor é estar sempre preparado para agüentar pressões.

Já em minha experiência na área de Marketing, eu aprendi quatro coisas fundamentais:

1 – Se o produto está vendendo bem, lança-se uma extensão de linha;

2 - Se o produto está vendendo mais ou menos, faz-se uma promoção;

3 - Se o produto não está vendendo bem, muda-se a embalagem;

4 – Se as vendas do produto são um desastre total, muda-se o sabor. Ou a cor. Ou o tamanho;

Até aí, sem problemas. O problema começa no momento em que as grandes soluções de Marketing passam a depender dos grandes esforços de vendas. Na prática, a pressão para atingir metas faz com que a área de Vendas seja a que menos gosta de mudanças e a que mais necessita de válvula de escape. No dia em que restar um único fumante na empresa, com certeza ele será de vendas. A tensão faz com que o pessoal do comercial oscile entre o otimismo na hora de prometer e o pessimismo na hora de entregar.

E vivenciar essa dualidade comportamental significa verbalizá-la através da ameaça mais temida de uma empresa; “Tudo bem, mas as vendas vão cair” (em minha experiência com a área de recursos humanos, eu aprendi que qualquer frase impressiona mais o interlocutor se contiver os termos “vivenciar”, “dualidade”, “comportamental”, e “verbalizar”).

Certa vez, eu precisava fazer algumas mudanças na sistemática comercial. Na verdade, pouca coisa iria mudar mais eu sabia que a primeira reação da equipe iria ser a de enxergar milhões de defeitos no novo processo. Só que não haveria tempo para muitas discussões nem para explicações. No mês seguinte teríamos a nossa Reunião trimestral de Vendas, e eu necessitava do apoio9 incondicional para promover as mudanças. E só havia uma forma de fazer isso. Sem aviso prévio, eu anunciei à turma de Vendas que iríamos mudar o sabor do produto. O pessoal de Marketing mandou fazer um lote de embalagens com a expressão “Novo Sabor”, escrita em letras vermelhas, enormes e mandou o produto para a área de Vendas provar, discutir e nos trazer a opinião do grupo no dia da Reunião Trimestral.

E o pessoal trouxe mesmo. Convictamente, como é de praxe em vendas. Em resumo, 52% acharam o novo sabor muito ruim, 24% disseram que não era melhor nem pior, mas descaracterizava o produto, 18% acharam o novo sabor razoável, mas muito forte, e os poucos restantes não achavam nada, mas eram contra mudar o sabor. Então humildemente, meu colega de Marketing pediu desculpas por não ter se explicado bem quando enviou o produto.

Na verdade, disse ele, ninguém tinha mexido no sabor, que continuava exatamente o mesmo de antes. A opinião solicitada era sobre a embalagem. As letras estavam de bom tamanho? A cor era chamativa? E a equipe desandou a rir, ao perceber que tinha visto alterações radicais em algo que não havia sido mudado.

Aí, a proposta de mudança na sistemática de Vendas – que, assim como o sabor, ia mudar quase nada - foi colocada em votação. E, sob gargalhadas, foi aprovada.

$uce$$o

Jorge Vieira